Como é a experiência
Fazia semanas que ela não falava sobre isso com ninguém.
Depois da mudança, as amigas que prometeram manter contato pararam de ligar. A nova cidade parecia uma sala de espera. Ela se inscreveu porque não tinha nada a perder.
A companheira dela não era terapeuta. Não era assistente social. Só alguém que aparecia nas noites de terça com uma xícara de chá e sem nenhuma pauta.
Elas conversavam sobre tudo e sobre nada. O tempo. Uma receita que deu errado. Uma entrevista de emprego que deu mais errado ainda. Às vezes só ficavam juntas numa videochamada, cada uma fazendo suas coisas, mas não sozinhas.

Seis meses depois, ela mesma disse: esta cidade finalmente parecia um lugar onde ela vivia, e não um lugar onde estava presa.
Todas as histórias são compostas. Representam experiências reais, mas não identificam pessoas específicas.
A pesquisa
Isso não é pouca coisa. Estudos com mulheres deslocadas mostram que o isolamento as torna 19,5 vezes mais propensas a enfrentar depressão. É por isso que o programa começa com uma pessoa, e não com um serviço.

