Fazia semanas que ela não falava sobre isso com ninguém.
Depois da mudança, as amigas que prometeram manter contato pararam de ligar. A nova cidade parecia uma sala de espera. Ela se inscreveu porque não tinha nada a perder.
A companheira dela não era terapeuta. Não era assistente social. Era só alguém que aparecia nas noites de terça com uma xícara de chá e sem pauta.
Elas conversavam sobre tudo e sobre nada. O tempo. Uma receita que deu errado. Uma entrevista de emprego que deu mais errado ainda. Às vezes só ficavam juntas numa videochamada, cada uma cuidando das suas coisas, sem estar sozinhas.
Seis meses depois, ela disse: “Você é a primeira pessoa que fez esta cidade parecer um lugar onde eu moro, e não um lugar onde estou presa.”
Todas as histórias são relatos compostos. Representam experiências reais, mas não identificam pessoas específicas.